22 de julho de 2012

A Influência da Vegetação na Atmosfera- Parte 1



A influência da vegetação na atmosfera

A radiação solar que incide sobre a superfície terrestre deixa uma quantidade de energia disponível. Essa energia aquece o ar e é utilizado pelas plantas. As plantas utilizam uma pequena parte de energia para a fotossíntese, e o restante para a transpiração. Desde cedo aprendemos que as plantas fazem fotossíntese. Mas você lembra o que isso significa? Na fotossíntese, a planta absorve CO2 (gás carbônico) e fornece O2 (oxigênio). Ou seja, a fotossíntese é o contrário da respiração.

Elementos da fotossíntese
Elementos da fotossíntese

Além disso, na fotossíntese, a planta constrói glicose, que é a matéria-prima do amido e da celulose. Durante o dia, paralelamente à fotossíntese, ocorre a transpiração das plantas. Na transpiração, as plantas cedem vapor d’água para o ar; portanto, a transpiração deixa o ar mais úmido. O vapor pode ser transportado para cima, formar nuvens e, eventualmente, retornar à superfície na forma de chuva. Ou seja, o vapor d’água oriundo da transpiração é uma importante componente do ciclo hidrológico.

Absorção de energia solar por diferentes biomas
Absorção de energia solar por diferentes biomas

A atmosfera deixa uma quantidade de energia disponível para a superfície. As plantas "roubam" uma parte dessa energia para transpirar. Se não existisse a vegetação, toda a energia seria utilizada para o aquecimento do ar. A superfície ficaria mais quente e mais seca. Se compararmos duas regiões - uma desértica e outra densamente vegetada - sujeitas à mesma radiação solar, ou seja, localizadas na mesma latitude, veremos que, durante o dia, a região desértica é mais quente e seca que a vegetada. A transpiração influencia a superfície, deixando-a menos quente e mais úmida.

A influência da atmosfera na vegetação

Parece intuitivo associar vegetação a clima. Por exemplo, florestas tropicais – por exemplo, a floresta Amazônica – ocorrem em regiões onde as chuvas são abundantes e a temperatura é alta. Já onde as chuvas são muito escassas, independentemente da temperatura, ocorrem os desertos.

Globo Terrestre

Globo Terrestre

Distribuição global de biomas e precipitação
Distribuição global de biomas e precipitação

A medida que subimos uma montanha ou saímos do Equador em direção aos pólos a temperatura e a precipitação diminuem. Portanto, encontramos biomas diferentes à medida que subimos a montanha. Isto é a zonação da vegetação.

CAMPOS

A vegetação é constituída principalmente de plantas herbáceas, havendo poucos arbustos. As chuvas são menos abundantes que as das florestas mas mais abundantes que as dos desertos. Estão sujeitos a períodos de estiagem prolongados; portanto, o estresse hídrico dificulta a transpiração das plantas, deixando o ar mais seco.

Campos
Campos

DESERTO

Caracterizam-se por chuvas muito escassas. As plantas são esparsas, com muito espaço entre elas. Há adaptações especiais nos vegetais que vivem nos desertos. Muitos vegetais são suculentos, como os cactos que armazenam água. Nessas plantas, é o caule verde que faz fotossíntese, enquanto as folhas são transformadas em espinhos, o que reduz a área transpirante.

Desertos
Desertos

TUNDRA

São características do hemisfério norte, ocorrendo em altas latitudes (acima de 60o). As temperaturas são muito baixas (abaixo de –5oC). A precipitação é pequena (ao redor de 25 cm anuais) e, normalmente, em forma de neve. A vegetação se desenvolve apenas durante 2 a 3 meses por ano, pois os solos permanecem congelados a maior parte do tempo. As plantas que conseguem sobreviver são de pequeno porte: sobretudo gramíneas, alguns poucos arbustos, grandes camadas de líquens e musgos sobre as rochas.

Tundra
Tundra

CONTINUA...

A Influência da Vegetação na Atmosfera- Parte 2





FLORESTA TROPICAL

Trata-se de uma floresta densa, composta por muitas espécies, e "sempre verde", isto é, suas folhas não caem. As florestas tropicais ocorrem em regiões da faixa equatorial sujeitas a chuvas abundantes e altas temperaturas. Na vertical, podemos dividir a floresta em camadas, pois existe uma nítida estratificação. As camadas são também chamadas de estratos. Na camada superior (entre 30 e 40 m acima do solo), fica a copa das árvores mais altas. Abaixo dela, encontra-se uma camada contendo a copa das árvores menores (entre 5 e 30 m). Essa camada pode ser subdividida em duas ou mais subcamadas. Finalmente, encontramos a camada de arbustos (cerca de 5 m de altura). Próximo à superfície do solo, há pouca vegetação, devido à escassa quantidade de luz que consegue atravessar a densa folhagem e chegar ao solo.

Floresta Tropical
Floresta Tropical

FLORESTA TEMPERADA

Trata-se de florestas típicas do hemisfério norte, ocorrendo em latitudes médias (30 a 60o). Ao contrário das florestas tropicais, que são "sempre verdes", as árvores da floresta temperada perdem as suas folhas no outono. São ditas, por isso, caducifólias. As chuvas são menos abundantes que as da faixa equatorial, mas continuam relativamente altas. As temperaturas são amenas. Nessas florestas são encontrados, comumente, faias, nogueiras e carvalhos. A diversidade das espécies é grande, mas menor que a da floresta tropical.

Floresta Temperada
Floresta Temperada

FLORESTA DE CONÍFERAS

Também chamada de taiga (nome russo para designar a floresta de coníferas da Sibéria), trata-se de florestas de pinheiros. Ocorrem entre as latitudes médias e as altas. As temperaturas são baixas e as chuvas, menos abundantes que as da floresta temperada. As florestas são "sempre verdes" e possuem adaptações para a vida em ambiente de inverno longo e com a presença de neve. As folhas das árvores têm a forma de agulhas, o que é uma adaptação para reduzir a transpiração. Existe pouca vegetação rasteira, pois pouca luz chega ao solo. As florestas de coníferas possuem pouca variedade de espécies.

Floresta de Coníferas
Floresta de Coníferas

A influência da atmosfera na vegetação

O corpo de uma planta terrestre típica é composto de três partes familiares e fundamentais. Essas partes também chamadas de órgãos vegetativos são: raiz, caule e folha. A raiz das plantas é responsável pela retirada de água e nutrientes do solo. Quando adubamos o solo, estamos repondo os nutrientes que as plantas necessitam para o seu desenvolvimento. A água e nutrientes absorvidos compõem a seiva bruta. Essa seiva bruta é transportada, da raiz para as folhas pelo xilema (conjunto de vasos encontrados no caule da planta).

Composição da planta
Composição da planta

Nas folhas, ocorre a fotossíntese, que é um processo de produção de glicose e oxigênio. A glicose produzida compõe a seiva elaborada conhecida como alimento da planta. A seiva elaborada é transportada, das folhas para a raiz, por um conjunto de vasos chamados de floema. Durante a descida, o floema fornece alimento aos demais órgãos, principalmente aos que não realizam fotossíntese, como as raízes.

Note que a respiração ocorre em todos os órgãos da planta. A respiração é um processo que consome glicose e oxigênio, e produção de gás carbônico, água e energia. Esse energia é utilizada pela planta para realizar as suas funções vitais.

Uma folha de forma simplificada é constituída de epiderme, estômatos, parênquima e nervuras. As paredes da epiderme da folha não perdem água, mas essa parede possui buracos, chamados de estômatos. É através dos estômatos que a folha realiza as trocas de gasosas.

Constituição da folha
Constituição da folha

O estômato é formado por duas células em forma de rim, denominadas células-guarda, com uma abertura entre elas, chamada de ostíolo. As células-guarda controlam a abertura estomática: quando as células-guarda estão inchadas devido à absorção de água, o ostíolo fica aberto; quando estão murchas, o ostíolo se fecha.

Estômato
Estômato

CONTINUA...

17 de julho de 2012

A Influência da Vegetação na Atmosfera- Parte 3


VEGETAÇÃO BRASILEIRA

Estima-se que 10% das espécies vegetais do planeta vivam nas paisagens brasileiras, mas essa vegetação vêm sendo consumidas por desmatamento, queimadas e poluição.

Mapa de vegetação no Brasil
Mapa de vegetação no Brasil

FLORESTA AMAZÔNICA

A Floresta Amazônica é uma típica floresta tropical, com grande diversidade de espécies vegetais e animais. Ela é um gigante tropical que ocupa 5,5 milhões de km2 dos quais 60% estão em território brasileiro; o restante se reparte entre as duas Guianas, Suriname, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia.

Floresta Amazônica
Floresta Amazônica

Em geral, a vegetação amazônica é higrófila, ou seja, adaptada à vida em condições de excesso de água. As adaptações que tais plantas apresentam são: ramos e folhas com os ápices voltados para baixo, folhas em goteira e ceras que revestem a superfície foliar. Todas essas características permitem que o excesso de água goteje para baixo com facilidade, evitando assim a obstrução dos estômatos.

Na Floresta Amazônica vivem e se reproduzem mais de um terço das espécies existentes no planeta. Além de 2.500 espécies de árvores (um terço da madeira tropical do mundo), a Amazônia também abriga água, muita água. O Rio Amazonas ­ a maior bacia hidrográfica do mundo, que cobre uma extensão aproximada de 6 milhões de km2 ­ corta a região para desaguar no Oceano Atlântico, lançando no mar, a cada segundo, cerca de 175 milhões de litros de água. Esse número corresponde a 20% da vazão conjunta de todos os rios da terra. E são nessas águas que se encontra o maior peixe de água doce do mundo: o pirarucu, que atinge até 2,5 m.

Todos os números que envolvem indicadores desse bioma são enormes. Uma boa idéia da exuberância da floresta está na fauna local. Das 100 mil espécies de plantas que ocorrem em toda a América Latina, 30 mil estão na Amazônia. A diversidade em espécies vegetais se repete na fauna da região. Os insetos, por exemplo, estão presentes em todos os estratos da floresta. Os animais rastejadores, os anfíbios e aqueles com capacidade para subir em locais íngremes, como o esquilo, exploram os níveis baixos e médios. Os locais mais altos são explorados por beija-flores, araras, papagaios e periquitos à procura de frutas, brotos e castanhas. Os tucanos, voadores de curta distância, exploram as árvores altas. O nível intermediário é habitado por jacus, gaviões, corujas e centenas de pequenas aves. No extrato terrestre estão os jabutis, cutias, pacas, antas etc. Os mamíferos aproveitam a produtividade sazonal dos alimentos, como os frutos caídos das árvores. Esses animais, por sua vez, servem de alimentos para grandes felinos e cobras de grande porte.

A maior parte dos solos da Floresta Amazônica é pobre em nutrientes. Pode parecer contraditório que uma floresta tão rica possa sobreviver sobre um solo pobre. Isso se explica pelo fato de ocorrer um ciclo fechado de nutrientes. Quase todos os minerais estão acumulados no vegetal. Quando os órgãos da planta morrem, são decompostos, e os nutrientes são reabsorvidos pelas raízes. Portanto, a floresta vive do seu próprio material orgânico. Se a água das chuvas caísse diretamente sobre o solo, tenderia a lavá-lo, retirando os sais minerais. Na floresta, porém, a queda das gotas é amortecida pela densa folhagem, o que reduz a perda de nutrientes. Portanto, o desmatamento, que reduz a folhagem da floresta, pode levar ao empobrecimento da terra. Isso mostra uma das fragilidades do ecossistema.

Atualmente, sabe-se que a Floresta Amazônica é um ecossistema frágil. A menor imprudência pode causar danos irreversíveis ao seu delicado equilíbrio ecológico.

MATA ATLÂNTICA

A Mata Atlântica é uma das florestas tropicais mais ameaçadas do mundo. Hoje, está reduzida a apenas 7% de sua área original. Mais de 70% da população brasileira vivem na região da Mata Atlântica.

Mata Atlântica
Mata Atlântica

A Mata Atlântica também é uma floresta tropical típica, e muitas das características da Floresta Amazônica são válidas para ela. A diferença mais marcante é a topografia, que, no caso da Mata Atlântica, é mais íngreme e variável.

Na época do descobrimento do Brasil, a Mata Atlântica tinha uma área equivalente a um terço da Amazônia. Cobria 1 milhão de km2, ou 12% do território nacional, estendendo-se do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Apesar da devastação sofrida, a riqueza das espécies animais e vegetais que ainda se abrigam na Mata Atlântica é espantosa. Em alguns trechos remanescentes de floresta os níveis de biodiversidade são considerados os maiores do planeta. Em contraste com essa exuberância, as estatísticas indicam que mais de 70% da população brasileira vive na região da Mata Atlântica. Além de abrigar a maioria das cidades e regiões metropolitanas do país, a área original da floresta sedia também os grandes pólos industriais, petroleiros e portuários do Brasil, respondendo por nada menos de 80% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional.

A Mata Atlântica abrange as bacias dos rios Paraná, Uruguai, Paraíba do Sul, Doce, Jequitinhonha e São Francisco. Espécies imponentes de árvores são encontradas na região, como o jequitibá-rosa, de 40 m de altura e 4 m de diâmetro. Também destacam-se nesse cenário várias outras espécies: o pinheiro-do-paraná, o cedro, as figueiras, os ipês, a braúna e o pau-brasil, entre muitas outras.

A região onde ocorre uma grande população do pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia) é chamada de Matas de Araucárias. Nessa região, existem estações bastante delimitadas: verões razoavelmente quentes e invernos bastante frios. As precipitações são regulares. A copas das árvores não forma uma camada contínua, como ocorre na Floresta Amazônica. Por serem mais abertas, são menos úmidas que as florestas tropicais. Os pinheiros podem ter troncos com 1 m de diâmetro e atingem 25 a 30 m de altura. Só se vêem ramificações no topo da árvore, o que lhe dá um aspecto de guarda-sol. Os ramos mais baixos, que ficam na sombra, são eliminados, pois a araucária é uma planta de sol (heliófila). Na Mata das Araucárias também aparece o mate, usado para infusões.

MATA COSTEIRA

O Brasil possui uma linha contínua de costa Atlântica de 8.000 km de extensão, uma das maiores do mundo. Ao longo dessa faixa litorânea é possível identificar uma grande diversidade de paisagens como dunas, ilhas, recifes, costões rochosos, baías, estuários, brejos e falésias.

Mata Costeira
Mata Costeira

Ao longo da costa brasileira, as praias, restingas, lagunas e manguezais apresentam diferentes espécies animais e vegetais. Isso se deve, basicamente, às diferenças climáticas e geológicas. Grande parte da zona costeira, entretanto, está ameaçada pela superpopulação e por atividades agrícolas e industriais. É aí, seguindo essa imensa faixa litorânea, que vive mais da metade da população brasileira.

O litoral amazônico, que vai da foz do Rio Oiapoque ao Rio Parnaíba, é lamacento e tem, em alguns trechos, mais de 100 km de largura. Apresenta grande extensão de manguezais, assim como matas de várzeas de marés. Jacarés, guarás e muitas espécies de aves e crustáceos são alguns dos animais que vivem nesse trecho da costa.

O litoral nordestino começa na foz do Rio Parnaíba e vai até o Recôncavo Baiano. É marcado por recifes calcáreos e arenitos, além de dunas que, quando perdem a cobertura vegetal que as fixa, movem-se com a ação do vento. Há ainda nessa área manguezais, restingas e matas. Nas águas do litoral nordestino vivem o peixe-boi marinho e tartarugas (ambos ameaçados de extinção).

O litoral sudeste segue do Recôncavo Baiano até São Paulo. É a área mais densamente povoada e industrializada do país. Suas áreas características são as falésias, recifes, arenitos e praias de areias monazíticas (mineral de cor marrom escura). É dominado pela Serra do Mar e tem a costa muito recortada com várias baías e pequenas enseadas. O ecossistema mais importante dessa área são as matas de restingas. Essa parte do litoral é habitada pela preguiça-de-coleira e pelo mico-sauá (espécies ameaçadas de extinção).

O litoral sul começa no Paraná e termina no Arroio Chuí, no Rio Grande do Sul. Cheio de banhados e manguezais, o ecossistema da região é riquíssimo em aves, mas há também outras espécies: ratão-do-banhado, lontras (também ameaçados de extinção), capivaras etc.

Fonte: Portal São Francisco