16 de janeiro de 2012

Biologia no ensino fundamental


CARACTERIZAÇÃO

A palavra "ecologia" deriva do grego oikos, como sentido de "casa", e logos, que significa "estudo". Assim, o estudo do "ambiente da casa" inclui todos os organismos contidos nela e todos os processos funcionais que a tornam habitável. Literalmente, enfim, a ecologia é o estudo do "lugar onde se vive", com ênfase sobre "a totalidade ou padrão de relações entre os organismos e o seu ambiente", citando uma das definições do Webter's Unabridged Dictionary.

A palavra "economia" também deriva da raiz grega oikos. Já que nomia significa "manejo, gerenciamento", a economia traduz-se como "o mando da casa"; conseqüentemente, a ecologia e a economia deveriam ser disciplinas companheiras, infelizmente, o ponto de vista de muitas pessoas é que os ecólogos e os economistas são adversários com visões antitéticas. Na seqüência, este texto examinará a confrontação que resulta do fato de cada disciplina interpretar muito estreitamente o seu assunto e o esforço especial que está sendo feito para eliminar as diferenças entre elas.

Distinguimos em ecologia três grandes subdivisões: a auto-ecologia, a dinâmica das populações e a sinecologia. Estas distinções são um pouco arbitrárias mas têm a vantagem de ser cômodas para uma exposição introdutória. 

— A auto-ecologia (Schroter, 1896) estuda as relações de uma única espécie com seu meio. Define essencialmente os limites de tolerância e as preferências das espécies em face dos diversos fatores ecológicos e examina a ação do meio sobre a morfologia, a fisiologia e o comportamento. Desprezam-se as interações dessa espécie com as outras, mas freqüentemente ganha-se na precisão das informações. Assim definida, a auto-ecologia tem evidentemente correlacionamentos com a fisiologia e a morfologia. Mas tem também seus próprios problemas. Por exemplo, a determinação das preferências térmicas de uma espécie permitirá explicar (ao menos em parte) sua localização nos diversos meios, sua repartição geográfica, abundância e atividade.

A dinâmica das populações (ou Demòkologie dos autores alemães, Schwertfeger, 1963) descreve as variações da abundância das diversas espécies e procura as causas dessas variações.

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Denominações específicas e Conceitos importantes


HABITAT - é o lugar específico onde uma espécie pode ser encontrada, isto é, o seu "ENDEREÇO" dentro do ecossistema.
Exemplo: Uma planta pode ser o habitat de um inseto, o leão pode ser encontrado nas savanas africanas, etc.
NICHO ECOLÓGICO - é o papel que o organismo desempenha no ecossistema, isto é, a "PROFISSÃO" do organismo no ecossistema. 0 nicho informa às custas de que se alimenta, a quem serve de alimento, como se reproduz, etc.
Exemplo: a fêmea do Anopheles (transmite malária) é um inseto hematófago ( se alimenta de sangue), o leão atua como predador devorando grandes herbívoros, como zebras e antílopes.
ECÓTONO - é a região de transição entre duas comunidades ou entre dois ecossistemas.
Na área de transição (ecótono) vamos encontrar grande número de espécies e, por conseguinte, grande número de nichos ecológicos.
No ecótono vivem espécies das comunidades limítrofes, além de espécies peculiares da região.

BIOSFERA

A biosfera é a parte da Terra na qual existem organismos vivos. Ela é uma fina película na superfície do planeta, irregular em espessura e em densidade. A atmosfera terrestre é um manto de gás e de pó, mantido perto da superfície pela gravidade. A atmosfera filtra os danosos raios ultravioleta do Sol e impede a perda de calor da superfície da Terra. A biosfera é afetada pela posição e pelos movimentos da Terra em relação ao Sol e pelos movimentos do ar e da água. Essas condições causam grandes diferenças de temperatura e pluviosidade de lugar para lugar e de estação para estação. Tais disparidades se refletem em diferenças nos tipos de vida animal e vegetal.
As grandes formações de seres vivos em terra são chamadas biomas. O bioma terrestre mais rico é a floresta úmida tropical, em que o crescimento não é limitado por falta d'água ou por temperaturas extremas. Na floresta tropical, as árvores são sempre verdes e de folhas largas, caracteristicamente cobertas por trepadeiras e epífitas. Não há quase acúmulo de material em decomposição, ou húmus. Os solos tropicais são freqüentemente argilas vermelhas (chamadas lateritas) que sofrem erosão ou se solidificam quando desmatados.

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Ecossistema, ou sistema ecológico




Ecossistema, ou sistema ecológico, é uma unidade de organização biológica constituída por todos os organismos de uma certa área e pelo ambiente em que esses organismos vivem.
Caracteriza-se por interações entre os componentes vivos (bióticos) e os não vivos (abióticos). Essas interações resultam num fluxo de energia do Sol, através dos autótrofos, para os heterótrofos, e numa ciclagem de minerais e de outros materiais inorgânicos.
Dentro de um ecossistema existem níveis tróficos (de tomada de alimento). Todos os ecossistemas possuem pelo menos dois níveis tróficos: os autótrofos, que são plantas ou algas fotossintetizantes, e os herbívoros, que geralmente são animais. Os autótrofos, produtores primários do ecossistema, convertem uma pequena proporção (acima de 1 por cento) da energia do Sol recebida em energia química. Os herbívoros, que comem os autótrofos, são os consumidores primários. Um carnívoro que come um herbívoro é um consumidor secundário, e assim por diante. Cerca de 10 por cento da energia transferida a cada nível trófico são armazenados nos tecidos corporais. Raramente há mais do que cinco elos em uma cadeia alimentar.



Os movimentos de água, carbono, nitrogênio e minerais através dos ecossistemas são chamados ciclos biogeoquímicos. Neles, materiais inorgânicos do ar, da água ou do solo são tomados pelos produtores primários, passados para consumidores, e finalmente transferidos para decompositores, representados principalmente por bactérias e fungos. Os decompositores quebram material orgânico morto e o devolvem ao solo ou à água numa forma novamente utilizável pelos produtores primários. A presença, retenção e reciclagem dos minerais são influenciadas por algumas características do solo. Essas características incluem a rocha que originou o solo, a presença de húmus na superfície do solo, a composição deste e seu pH. Íons com cargas positivas são retidos no solo por partículas de argila negativamente carregadas. Os solos e a vida vegetal exercem influência mútua. As plantas aumentam a disponibilidade de minerais no solo e afetam sua textura; essas modificações, por sua vez, melhoram a capacidade do solo para sustentar vida vegetal, o que leva a novo aumento no conteúdo de húmus.

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Comunidades e Populações


População é um grupo de organismos da mesma espécie ocupantes de uma determinada área em um determinado tempo. Uma comunidade consiste no conjunto de todas as populações de uma certa área.
A posição, ou função, de uma população dentro de uma comunidade é chamada seu nicho ecológico. A hipótese da exclusão competitiva prevê que somente uma espécie possa ocupar o mesmo nicho ecológico em um dado momento e que, quando duas espécies competem pelo mesmo nicho, uma é eliminada.
O tamanho de qualquer população é determinado pelas taxas de natalidade e de mortalidade. A taxa de natalidade teórica de uma população – seu potencial reprodutivo - é exponencial (isto é, 2, 4., 8, 16, 32); quanto maior for o número de indivíduos de uma população, tanto mais rapidamente ela crescerá. A taxa de crescimento de uma população que se expande pode geralmente ser tabulada por uma curva sigmóide, que começa lentamente, aumenta de modo exponencial durante um certo tempo, e depois se nivela, á medida que a população atinge os limites de algum recurso disponível, como alimento, espaço, ou, no caso de organismos aquáticos, oxigênio. Na maioria das comunidades, a taxa de mortalidade de uma espécie é aproximadamente igual à taxa de natalidade, e a população permanece relativamente estável de uma geração para a seguinte.
Fatores bióticos e abióticos desempenham um papel na regulação natural da abundância dos organismos. Esses fatores podem ser independentes de densidade (temperatura ou duração do dia) ou dependentes de densidade (fonte de alimento ou predação).
Os tipos e a abundância dos organismos em uma comunidade dependem não somente dos fatores abióticos, como os descritos no capítulo anterior, mas também de fatores bióticos, das interações entre as várias populações.
Entre os tipos de interação está a competição, que pode resultar na eliminação de uma espécie (caso das angiospermas do gênero Lemna) ou sua conformidade a um quadro não competitivo (cracas e icterídeos). As plantas- competem ás vezes uma com a outra produzindo substâncias tóxicas que limitam o crescimento de espécies próximas; esse fenômeno é chamado alelopatia. A simbiose é a associação estreita entre organismos de espécie> diferentes. A associação pode ser benéfica a ambos os organismos (mutualismo), benéfica a um e inócua ao outro (comensalismo), ou benéfica a um e prejudicial ao outro (parasitismo). Em alguns casos de simbiose, como no dos líquens e das formigas cultivadoras de fungos, as formas associadas não podem viver separadas.
A maioria das doenças nos organismos é causada por parasitas. A maior parte dos parasitas não mata o hospedeiro e quase nunca extermina populações inteiras. Os parasitas tendem a adaptar-se tão completamente aos seus hospedeiros que passam a depender completamente desses.
Os níveis tróficos de um ecossistema estão ligados por associações predador-presa. Essas associações exercem papel regulador no tamanho das populações e profundos efeitos evolutivos nas diversas espécies implicadas.

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Algumas informações: adaptações, bicos e alimentos



Os seres vivos “se adaptam ao meio ambiente” onde vivem ( ou melhor : O ambiente seleciona as características dos seres vivos que são mais aptas a ele). Alguns seres vivos possuem uma grossa camada de gordura por debaixo da pele, e, isso permite que eles vivam em lugares frios. Outros possuem orelhas enorme, que permitem a troca maior de calor com o ambiente. Assim, o Feneco ( uma raposa de orelhas enormes- veja foto ao lado) vive bem no deserto do Saara.

Vamos perceber melhor essa história de adaptação com as Aves . Então, leia e aprenda !

As adaptações são pequenas diferenças que quando são “interessantes” ao meio são selecionadas. Vejamos os vários bicos das aves para aprendermos melhor sobre isso :

A arara e o papagaio têm um bico forte , adaptado para comer sementes e frutos, que é o que ela mais encontra em seu meio ambiente. As aves , neste caso, com o bico mais forte se alimentam melhor e podem transmitir essa característica as outras gerações. Isso é o que Darwin chamou de seleção natural.

O beija -flor tem um bico bem fino, que ele usa para sugar o néctar das flores. Ele tem que alcançar o seu alimento bem de dentro das flores, por isso o seu bico é longo e fino

Agora, imagine uma arara, com o seu bico grande, tentando sugar o néctar de uma flor! Ou um beija-flor querendo quebrar uma noz dura, com o seu bico delicado !Dava para ser ?


15 de janeiro de 2012

Vaga-lumes quiescentes



O meu deslumbramento com os vagalumes remonta à minha infância, quando eu era apenas uma menininha muito ensimesmada, sonhadora e dada a devaneios extraordinários, capazes de metamorfosear a realidade palpável em outras realidades fantásticas! Talvez por causa desse meu pendor para dar rédeas soltas ao meu imaginário, tenha me interessado pelos vagalumes. Eu me tornara verdadeiramente fascinada por aquelas luzinhas voadoras que apareciam em todas as noites do verão, trazendo magia e mistério ao meu cismar de criança solitária.
Sentadinha num toco de árvore derrubada, na quietude daquele recanto do jardim, envolvida no perfume dos bugaris, angélicas e jasmins, tão bem cuidados pelas mãos amorosas da minha avó, eu observava aqueles seres pequeninos que desafiavam minha capacidade de decifrar o mistério que encerrava o seu piscar no negrume da noite, ponteando o espaço com focos luminosos, parecendo estrelinhas cadentes que, fugidas do céu, vinham brincar no jardim da casa da vovó.
Hoje, sem áreas verdes aos arredores das casas, nas noites de verão já não aparecem vagalumes, como acontecia no tempo em que eu era criança. Também eu já não teria os jardins perfumados da vovó, estes jazem sob um prédio, construído sobre aquele espaço mágico. Já não sonho como sonhava em meus outroras, já não me imagino um vagalume, voejando pelos jardins, rivalizando com a luminosidade das estrelas! Com poderes de iluminar o mundo ao meu redor com a minha própria luz, rompendo as sombras, dentro e fora de mim, com o meu milagre luminescente...
Os sonhos das crianças, às vezes, assumem proporções gigantescas, ignoram os limites do impossível, avizinham-se do absurdo fantástico!

 Estas lembranças, tão poéticas e felizes, ressurgiram em meu espírito depois que, há tempos atrás, tive a grata surpresa de encontrar, casualmente, um texto estupendo, escrito por uma bióloga, inspirado na luz dos vagalumes.
Fiquei perplexa com a sensibilidade e a força poética da autora, especialmente por ser uma pesquisadora de uma área do conhecimento tão distanciada do universo da poesia. Lembrei-me então de Fernando Pessoa e três dos seus principais heterônimos, Ricardo Reis (um médico), Álvaro de Campos (um engenheiro), Alberto Caeiro (um camponês, com poucos estudos) e ele mesmo, um homem de vasta cultura que nunca concluíra o curso de letras. Então compreendi que o dom da poesia independe da profissão ou do grau de estudos do poeta. Entendi que quem é poeta, já nasce com a essência da poesia decalcada na alma, à espera apenas do momento propício, no qual as palavras irão saltar da sua sensibilidade para a perplexidade da folha de papel em branco, na forma de versos esplêndidos ou de uma magnífica prosa poética, como a que nos oferece o texto “Vaga-lumes quiescentes”, da autoria da Dra. Maisa Splendore Della Casa, professora e pesquisadora na área da Biologia, da USP.


 “Vaga-lumes quiescentes”,

“A intensidade da luz da alma recolhe-se timidamente no breu do que sou ou tento ser.
Luzes ao redor, luzes pobres disfarçadas na ausência da escuridão,
o intenso é sentir a escuridão do sol e a clareza da noite.

Se não tenho luz própria, devo viver de dia, gozar da claridade da natureza,
pois ao meio a meus disfarces, não preciso provar que tenho luz própria,
;nem sei se a tenho, está de dia. Ninguém reconhecerá.

Caso a luz não se faça presente, não devo aparecer na noite,
ou assumo minhas formas sombrias e me mantenho no anonimato da pez
ou incorporo a oxidação biológica dos vagalumes
permitindo que a energia química seja convertida em luminosa.

Defendo-me. Defendo-me ou caço.
Serei caçador de mim, dos meus vestígios de luz quiescentes,
para depois, iluminar o resto da alma sombria e, aí sim,
 vagaluminarei pela noite de mim mesma."

É realmente extraordinária a sensibilidade de Maísa Splendore Della Casa. A sua visão poética, incidindo sobre um pequeno ser da natureza, objeto dos seus estudos, é tão maravilhosa quanto a sua capacidade de transformar em poesia o fenômeno da luminescência dos vagalumes, tomado, inclusive, como metáfora do seu próprio ser.

O que seria de nós sem a poesia, sem os poetas e a sua especialíssima visão do mundo?!
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Autora: Zenóbia Collares Moreira Cunha



O sentimento estético da natureza.


O homem demorou muito a despertar para um sentimento estético da natureza. Mesmo na arte pictórica e na poesia, ela figurava apenas como pano de fundo, como elemento decorativo.
A natureza só veio a ser valorizada em si mesma, em sua beleza, em suas nuances, a partir do século XVIII, com o advento da literatura pré-romântica que introduziu o sentimento estético da natureza. A sua beleza, o seu esplendor e o multifacetado aspecto que podem ser captados do seu conjunto (cores, formas, luminosidade, sombras, ruídos, sons, odores; a fauna, a flora, os astros, a montanha, o mar, o luar, etc.) conquistaram um lugar de destaque na poesia e no romance europeus anglo-saxonicos e franco-suiços.
A posição privilegiada que os sentimentos passaram a ocupar no período pré-romântico propiciou o despertar das sensibilidades para o sentimento estético da paisagem. Assim, por volta dos meados do século XVIII, verifica-se uma mudança substancial no tratamento concedido à natureza nos textos literários. A paisagem convencional dos clássicos é substituída por uma paisagem viva, colorida, cheia de nuanças, odores e sons; os romances e poesias passam a oferecer quadros descritivos reveladores de um profundo sentimento estético da natureza. Os escritores se compraziam em descrever os espetáculos naturais, os esplendores da paisagem. Surge um novo gênero de poesia, o poema descritivo, introduzido na literatura com As Estações, do inglês Thompson.
Apesar do sucesso no campo da poesia descritiva, é a prosa dos viajantes e a ficção dos romancistas que revelam com mais profundidade o sentimento estético da natureza. A influência de La Nouvelle Héloïse, de Rousseau, romance cujas paisagens estimularam os romancistas a situarem as suas personagens em cenários bucólicos, a rodeá-las com elementos paisagísticos os mais belos. Depois, com o surgimento das obras Les rêveries d’un promeneur solitaire e Confessions, a influência de Rousseau sobre os romancistas de sua época foi intensificada, em razão dos espetáculos naturais que nessas obras ocupam um lugar de suma importância.
Com o romance Werther, do alemão Goethe, a literatura conhece uma das mais belas e sensíveis evocações da natureza, ora sob os seus aspectos festivos, ora sob os mais sombrios e melancólicos, descritos com uma tal profundidade emocional, com um lirismo fervoroso e, por vezes, mesclado de suave misticismo, em perfeita consonância com as emoções da personagem.
Os poetas passaram a olhar para ela com um olhar menos indiferente, mais interessado e cúmplice.

Autor: Zenóbia C. M. Cunha.